A razão do meu viver!
Os fatos parecem buscar um título, os males do corpo um
diagnóstico, essas e outras buscas por um nome que identifique causa e consequência, origem e destino. Onde estão? Os conflitos e a necessidade de explicação! Acontece a procura de um caminho para se ter sucesso no resultado de uma investigação e com
pontaria certeira se diz então: – Ah! Foi você! É isso!
Quando alguém aponta: – Você é a razão do meu viver! É
preciso pensar nessa razão que não está em si mesmo, mas no outro que é apontado. Coloca-se neste ser apontado, definido como responsável pela razão da vida, a origem e o destino das dinâmicas cotidianas no relacionamento. Como se a vida respirasse
em outro pulmão e as ideias se realizassem em outra mente. E ainda, essa razão de viver
pode de modo surpreendente se tornar em: – Você é o vilão da minha
vida, a minha doença! Enfim, na outra pessoa estão a razão, sentido, cura e também o mal, a doença. É o próprio sonhador quem define ser a razão de seu viver. Assim, o ser, que é 'a razão do viver', é ao mesmo tempo eleito e idealizado pelo sonhador. O eleito tido como inerte tem o poder concedido de fazer viver e tornar vítima o próprio sonhador que o elegeu. Então, o sonhador manipula e se aprisiona em seus sonhos ideais sobre o outro tão desejado. (Calma! talvez seja preciso desenhar!)
Com tamanho
poder conferido ao outro perder-se e ferir-se são riscos eminentes! Na busca por satisfação, por um prazer, por um sonho, uma realização de plano idealizado que se constrói como sendo uma necessidade vital, concede-se o domínio da realização de tal plano para alguém, outra pessoa, personagem alvo do projeto de relacionamento tão sonhado e da qual se aguarda correspondência afetiva pelo menos na mesma medida do investimento. Mas, quando nessa história escapa a satisfação esperada tende-se a
negar e reagir em oposição. Quando esse projeto idealizado foge às expectativas, a
negação e anulação da ideia de participação no próprio conflito pode ser um modo de
reagir à frustração. A personagem alvo do projeto dos sonhos,
agora é odiada, é a mais vil culpada por não corresponder a esse sonho.
Esse modo de descrever um tipo peculiar de acontecimento pode representar muitas histórias e coincidir comparativamente com um modo recorrente em que muitos relacionamentos se desenrolam. As reclamações e queixas que mostram esse roteiro expressam esse movimento! Porém, esse acontecimento que se repete em algumas histórias é um recorte dentre tantos outros modos em que os relacionamentos se desenrolam. Fica um pouco estranho quando estamos
falando da relação entre seres humanos encerrarmos e determinarmos em um sistema definitivo de fatos os acontecimentos para todos os relacionamentos. Pensemos em possibilidades novas e libertadoras! Caso se queira sair do sonho e viver a realidade... Pois ainda se tem uma tarde inteira!
Fundamentalmente podemos nos inspirar na questão da importância dos acontecimentos que Sartre acende com a frase de Náusea, já bem
divulgada em mensagens estimuladoras pelas mídias sociais: "O
importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que
os outros fizeram de nós." Pessoas fazem e recebem feitos, são agentes da
existência mesmo quando parecem parados. Sujeito e objeto ficam melhor entendidos na estrutura de uma frase, portanto, elementos da ciência linguística e fica inviável para compreender a dinâmica das relações onde são várias histórias e protagonistas que se encontram. Podemos pensar então que uma
frase ao modo das relações, da vida em seu acontecer, se dá na estrutura de “sujeito e sujeito”, pronto!
Atores é o que na verdade temos e isso salva, organiza, protagoniza novamente as vivências. Pensar sobre isso pode libertar aquele sonhador. Será? Caso ele queira!?
Atores é o que na verdade temos e isso salva, organiza, protagoniza novamente as vivências. Pensar sobre isso pode libertar aquele sonhador. Será? Caso ele queira!?
O que se atribui a outra pessoa saiu de si mesmo e carrega um pouco
do seu modo próprio de ser. No entanto, cabe observar as possibilidades e experimentar a abertura da existência para que esse pouco seja o ponto de retomada do domínio próprio e da lembrança de que a razão de viver está em quem vive!
Psicoterapia é um espaço para o encontro com a sua realidade
e com a liberdade de vivê-la!
Liberte-se!
Claudia Carvalho Amaral
Psicóloga Clínica
Psicoterapia Individual e com Casal
Freguesia / Barra da Tijuca
21 99391-8093 Freguesia / Barra da Tijuca


