Horizonte e Tempo


Em plena paz seguir seu caminho e distrações cotidianas, viver uma vida tranquila. Um problema aqui, outro ali, tudo normal. É vida, um dia depois do outro: semana de trabalho, ter um chefe dedicado, para não deixar de ser! Esperar o final de semana para ir a serra ou ao mar, cinema ou televisão, churrascada ou shopping. Uma tia idosa precisa de ajuda, ou um avô, afinal a vida tem essas coisas. Cuidar dos filhos, do cônjuge, dos amigos, das boas relações. Entre uma coisa e muitas outras, acontecem aborrecimentos e reconciliações. Que paz! Próximo disso e sem muitas querelas está o necessário para uma vida real. Esse clima previsível, que deixa as tardes cheias de um perfume familiar e acolhedor como cheiro de bolo quente ou como aquela parada para o cafezinho.Vida que segue... se ainda não escutou a frase: todo mundo tem problema! - qualquer dia é possível escutá-la, e isso também é familiar... 

Ela um dia reparou que fazia tempo que não olhava para o horizonte. Seu dia era rápido e indolor, nenhuma dose de Propofol podia anestesiar tanto quanto o corre-corre. Em dado momento seu mundo pareceu parar de rodar, num instante estático. Do outro lado, onde o mundo se movia ela reparou no seu colega um estranho olhar parado direto no seu, mas sem parecer que lhe via, perdido. Em seu instante lembrou e comparou a sua sensação do tempo. A vida passou como um filme na tela do seu terminal. O que era a sua vida? Aonde quer chegar? Quem era e o que queria mais ainda para sua vida? Um tédio no corre-corre se pronuncia. Agora, como uma câmera de filme que fecha no ator, e, tudo em volta fica parado e fora de foco, sua mente busca significado do caminho percorrido e do que ainda vai percorrer... A corrida é a vida ou a vida corrida?

Foi só um momento, nada de mais! Muita coisa afinal precisa ser feita. Segue o fluxo! Outro dia, bem vestida, chega em cima da hora afobada olhando para a mesa do chefe para ver se já tinha chegado, enquanto fala com a babá ao celular, precisa dar sempre as últimas coordenadas, e ainda, tem que ligar para a mãe e saber sobre a saúde do pai, para a prima que faz aniversário. Dá recepção do prédio até a sua mesa levava uns dez minutos. Na fila do elevador equilibra as pastas embaixo do braço, tenta puxar o casaco. Do elevador panorâmico se pode ver a comunidade de passantes na cidade, mas ela olha e não sente mais nada!

Com anestesia ou sem,
a vida acontece!
A vida segue seu fluxo. Mas... Quando algo for demais ou não conseguir mais lidar com muitas coisas ao seu redor, a busca por si mesmo é o caminho. 

Claudia Carvalho Amaral
Psicóloga Clínica
21 99391-8093




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