O medo do olhar do outro
A turma era divertida. Na sala de aula havia harmonia e uma
boa comunicação entre os alunos daquele segundo ano do ensino médio. A
instituição tinha uma direção tradicional, usava de expedientes comuns e
cotidianos para a comunicação com os pais e fazia reuniões no pátio para
disciplinar os alunos.
A apresentação de temas em seminário amedrontava alguns alunos.
Afinal, estar diante do público pode não ser matéria fácil! Aquele público de
alunos-colegas era amistoso, salvo um ou dois fanfarrões que eram os mestres da
ironia e não perdiam a piada se lhes fosse dado como deixa uma palavra
que lembrasse o jargão popular do momento.
Certo dia, na apresentação de um seminário, uma palavra
desencadeou uma gargalhada, uma série de piadas, um apelido e um slogan que
definiu o apresentador. Por mais que se quisesse explicar ou contornar... enfim
não havia mais remédio!
Construir o medo do olhar e julgamento do outro pode ter
acontecido ao longo de muitos anos e de muitas vivências de hostilidade,
mensagens negativas e maus tratos, ausência de afeto e valorização.
Possivelmente, nesse caminho, visto como assustador, uma oposição ao mundo que
parece hostil se instaure. A própria imagem pessoal foi distorcida por pura
permissão e aceitação. Por defesa acontece o fechamento e isolamento e uma
surdez no diálogo na tentativa de impedir que as opiniões alheias passem.
Treinamentos e orientações podem e surtem efeitos para tratar dramas e dificuldades sedimentadas por hábitos em nosso tempo. No entanto, para conquistar a si mesmo e ganhar autonomia e independência diante das várias dimensões relacionais é preciso chegar a alma e tratar da angústia existencial. Essa angústia é o fundamento que atravessa os dramas e dificuldades vividas. A Psicoterapia existencial oferece espaço para uma transformação definitiva.
Claudia Carvalho Amaral
Psicóloga Clínica
21 99391-8093


