Barulho do silêncio




Na partida para uma viagem de férias vive-se uma excitação, a alegria que torna tudo mágico. Muitas vezes, qualquer matinho com flor é motivo de parada e de contemplação. O motivo da viagem é importante, mas só o fato de ir para um lugar novo, e acompanhado da pessoa mais legal que conhecemos, já é muito especial. O destino foi planejado, o lugar foi escolhido e o sorriso é muito próprio aos rostos que buscam somente prazer.

Embriagado de planos, descansos, compras e fotos, o viajante segue sem se dar conta do tempo que passou, e quando retorna reencontra sua rua, as pessoas, o cheiro da sua casa que logo relembra ao abrir a porta. A casa ficou esperando e guardando suas coisas, as circunstâncias vividas, reuniões, discussões, brigas, vitórias, problemas.

O cenário da casa parece que foi construído em um tipo de viagem também. A cerimônia de casamento foi despretensiosa quanto ao futuro. E, sem se dar conta, a vida segue e as estações passam! Nesse caminho, alguns ruídos e conversas sem acordos, sentimentos mudos e reações intempestivas foram se acomodando na relação, como parte da família. Estavam presentes no Natal, na Páscoa, nos aniversários, nas madrugadas do cuidado ao doente, no café atrasado para o trabalho.

O fim da linha pode significar que se chegou a algum lugar. Que lugar pode ter um silêncio tão ruidoso quanto de algumas relações? Noutro dia, em um restaurante, fiquei observando as pessoas nas outras mesas, e vi um casal que não se olhava, não trocava uma palavra. Distantes, entre uma garfada e um gole, seus olhares tomavam direções paralelas para o nada. Já em outra mesa, uma conversa com a atenção que põe a mão no queixo e o sorriso no locutor irradiava muito espaço para ambos conviverem no mundo a dois. O relacionamento pode guardar aos distraídos, com o glamour da novidade e da festa, muitas surpresas ou acomodações rumo ao fim da linha para ambos em lugares diferentes e incomuns.

Quando tudo já foi dito, pode não ser o fim de tudo, mas pode ser uma oportunidade de colocar o filme das viagens para relembrar como foi que tudo aconteceu. Uma possibilidade, um novo canal que devolve a voz ao sentimento e faz reencontrar olhares perdidos: Terapia Conjugal é uma boa possibilidade para aqueles que querem o fim, mas querem continuar... assim mesmo! É confuso, porque precisa de iluminação para o caminho seguir sem tantos tropeços!

Claudia Carvalho Amaral
Psicóloga Clínica

Psicoterapia Individual e com Casal
Freguesia / Barra da Tijuca
21 99391-8093


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