Planos adiados... vida provisória
Ele fixou a direção e começou a diminuir a distância do
seu destino. Que destino seria o melhor? O desejado?
Se pudéssemos ter uma segunda chance para aquelas situações que acabamos
por colher o pior resultado e que em seguida se instala uma nostalgia esperançosa cobrando um outro plano de destino.
Em outra situação ela responde:
_ Ah! Eu quis porque me apaixonei por ele!
Tomada de emoção só viu a luz do prazer de estar em companhia de quem
lhe despertou uma grande paixão. Mas, continua:
_Uma coisa me deixa mal!
Dizia ela, testa franzida, mão fechada segurando o queixo.
_É que eu gostaria de voltar atrás e fazer mudar o rumo de algumas
coisas. Sabe? Coisas que eu não planejei ou que eu fiz errado e hoje o
resultado, claro, não era o que eu queria ter! Eu gostaria de ouvir mesmo é: Hoje
você terá uma chance de reparar seus erros e recomeçar, planejar o rumo certo!
No celular temos o poder de colocar em espera uma conversa e priorizar
a outra. Mas, a vida para viver pode suportar um estado de espera? O diálogo no
celular pode até se tornar uma conferência! Uma conversa ou outra, uma vida ou outra. Qual será a vida
que é a que se quer viver? Por enquanto,
pode se viver uma situação provisória, a espera daquela vida dos sonhos.
Um lugar que não é o seu, uma situação que parece não ser verdadeiramente a sua, mesmo apesar de estar a acontecer: comer, dormir, acordar, conversar, trabalhar...
Um lugar que não é o seu, uma situação que parece não ser verdadeiramente a sua, mesmo apesar de estar a acontecer: comer, dormir, acordar, conversar, trabalhar...
O momento ideal da vida desejada acontecer pode ser
colocado sempre adiante, sempre no amanhã. Como na perfeição do artista, que
modela, modela e modela sua escultura até declará-la pronta em seus detalhes
para poder então apresentá-la. Os planos de felicidade podem ser
cheios de condições futuras, o que traz certa provisoriedade a experiência. Este momento presente pode passar vazio, diante do projeto para as
coisas possíveis e desejadas. Assim habita-se o futuro como se fosse hoje. Fazer eternos planos para a tal felicidade, equilíbrio, estabilidade, ou
qualquer outro nome que se dê a perfeição. E hoje? E agora? Vivo ou
morto, presente ou ausente?
Sem se dar conta, seguir o fluxo dos acontecimentos e perceber a vida
somente nos momentos de mal estar; distrair-se com tudo, com todos ou consigo
mesmo; lamentando, ressentindo o passado ou esperando o momento perfeito no
futuro podem dar a vida um status de provisória. Uma sensação de não
pertencer a um lugar! Pois, qual é o seu lugar e o seu tempo? Estão num céu ou num inferno? Quando o lugar e o tempo de fato acontecem? A presença do
passado ou o rascunho do futuro podem e talvez precisem ganhar um lugar melhor
na história de uma vida.
Claudia Carvalho Amaral
Psicóloga Clínica
21 99391-8093


