Conectados e perdidos
Estamos muito bem conectados. Quando alguém viaja para outro país, podemos dizer até breve mesmo! Os aplicativos de comunicação por vídeo aproximam a imagem daquele que está fisicamente distante. Assim, parece que não perdemos nada. Graças à tecnologia, temos a possibilidade sempre presente de uma forma de conexão virtual imediata.
Para a existência humana em sua origem já
anuncia-se a presença de outras pessoas. As conexões dos relacionamentos
acontecem naturalmente. Somos seres-com-os-outros.
Seja de modo presencial, em pensamento ou virtual, os encontros acontecem, pois
até mesmo o isolamento pode estar povoado de memórias e nestas residem pessoas.
Na solidão há também a possibilidade do encontro com si mesmo, que também é uma
conexão.
Nesse cenário de milhares de diálogos virtuais, os encontros
presenciais parecem uma festa estranhamente silenciosa. Cada pessoa do encontro
tem em seu aplicativo muitos contatos registrados e potencialmente ativados. No
entanto, muitas vezes a presença física parece tão distante...
O tempo parece tão preenchido pelos diálogos virtuais que nem se
percebe a demora, a espera, a contemplação das horas. Perdidos neste fluxo de
encontros à distância, algo escapa, pois o tempo parece não atender e o
relacionamento continua em falta.
Mas quem quer ir mais devagar ou mesmo ter menos contatos? A
velocidade tecnológica imprime pressa e desafia cada vez mais a preencher-nos de
presenças virtuais. Esse cenário de rede de contatos nos acompanha a todo o
momento.
E quando então ocorrem as desconexões? Ou mesmo, ainda assim, cheios
de contatos potencialmente ativados, a falta por uma conexão é sentida? Porque
a necessidade de “ter que ter” um relacionamento se mostra como drama, sofrimento
pelo medo da solidão? Algo parece desconectado! O que pode ser esquecido ou
perdido, mas que ainda faz falta?
O fato é que o que nos aproxima virtualmente e traz conforto,
comodidade, publicidade, não garante satisfação ilimitada como a sede de alguns
casos manifestam. Muitos temas podem surgir a partir do modo como se faz uso
desses canais tecnológicos de comunicação.
No drama do filme Os Desconectados
(2014 – Universal), um advogado que só pensa em trabalho, preso ao celular,
não encontra tempo para se comunicar com sua família. Um casal se envolve em
uma perigosa situação, quando seus segredos são expostos online. Uma
ex-policial viúva luta para criar um filho encrenqueiro, que está ameaçando um
colega pela internet. Um ambicioso jornalista enxerga uma oportunidade de ficar
famoso com a história de um adolescente. Veja o Trailer : https://www.youtube.com/watch?v=Inph38M20nU
Claudia Carvalho Amaral
Psicóloga Clínica
21 99391-8093



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